O divórcio é o decretar a separação de um casal, unido pelo matrimónio. É um acto legal. Tal como o casamento é um acto legal que confirma a união por matrimónio de duas pessoas.
São na sua maioria, processos tortuosos, em que as duas partes exibem o lado mais obscuro e degradante das suas personalidades. São raros, excepcionais e exemplares os que decorrem de uma forma pacifica, civilizada e com bom senso.
São o culminar, na maioria dos casos de uma relação já bastante degradada, na qual as partes adquiriram hábitos reiterados de irrespeitabilidade e de culpabilização.
Todos nós ja vivemos a experiência de defrontar uma pessoa chegada, um amigo, um familiar, um colega de trabalho, que num sofrimento sentido, nos denuncia as razôes porque se divorciou ou pretende divorciar. São na sua maioria, descrições permenorizadas do caracter insuportável do parceiro e das dificuladades de uma convivência impossivel. Assim como, o desânimo do fracasso e da sensação de engano e dos pressupostos da relação amorosa, que todos os casais admitem ter vivido originalmente.
Sem pretender ser fundamentalista , e advogar que deveriam manter-se nesse estado de infelicidade, como consequência dos seus actos e erros. Bem pelo contrário o que gostaria era de desdramatizar a livre escolha de em um momento decidirmos viver com uma pessoa e noutro momento decidirmos separarmo-nos dela. A verdade é que friamente analisando as razôes das ditas incompatibilidades dos casais, percebemos que elas estiveram sempre presentes. E que a dificuldade em as interiorizarmos, tem a ver com uma série de ideias romanceadas que inconscientemente, temos como adquiridas para as razões que nos levaram a casar com determinada pessoa. O Amor.
Só admitimos o erro à posterior. No início eram rosas…..
É esta franqueza que está vedada na análise de uma relação mal sucedida. O erro na escolha. O engano nos motivos que nos levaram a dizer o sim logo no início. Todos nós teimamos em nos convencer que escolhemos o nosso par porque o amavamos. Como se isso fosse condição “sine quo non”.
A verdade nua e crua é que temos muito mais responsabilidades do que as que estamos preparados para admitir na escolha do nosso parceiro. Errar é humano. Nada de incorrecto nisso. Incorrecta é a falta de franqueza que temos para connosco próprios e para com os demais com quem partilhamos a nossa lista de infortúnios.
Temos interiorizada a ideia romântica, de nos apaixonarmos, pela pessoa certa, a quem queremos mais do que a nenhuma outra e por isso a escolhemos para partilhar a nossa vida. Mas verdade, verdadinha, consciências ao alto, franqueza a cima de tudo, nem sempre é assim. A escolha por vezes nem sequer é uma escolha, mas antes uma oportunidade que queremos agarrar. A Sociedade organizou-se com base na família e esse é o desfecho esperado para todos os jovens, acasalar. Curiosamente o termo tem duplo sentido: unir o par e juntar macho e fêmea para procriação. Por isso todos nós um dia ou outro temos que passar pela tarefa difícil de encontrar o nosso par. E como se tornou convencional que se trata de uma escolha pessoal baseada no amor, esforçamo-nos o mais que podemos para conseguir encontrar a pessoa amada ou para nos convencermos que a encontramos.
Quando fazemos essa escolha. Não admitimos que esta seja questionável . Se os nossos familiares amigos ou conhecidos, se manifestarem em desacordo, com as capacidades da nossa escolha preencherem os requisitos, para a tal harmonia a dois, para a tal adaptabilidade do futuro casal, depressa nos oporemos ao direito de se intrometerem nas nossas vidas. Mas se ao contrário não nos perceberem quando expusermos as mesmas razões ou similares quando nos queremos separar, causam-nos infelicidade e a sensação de injustiça.
Porque é que temos tanta dificuldade em sermos francos connosco próprios? E porque é que nos preocupamos tanto com o que os outros pensam de nós em matérias privadas como as razôes que nos levam a casar ou a divorciar?
Felizes daqueles que se casam por amor, e têm a sorte de descobrir uma compatibiliade de caracter que lhes permite uma vida harmoniosa. O casamento idílico e desejado por todos. Mas mesmo em grandes histórias de amor a desarmonia chega e com ela o fim do romance. E outros há que sem uma história de amor, encontram essa harmonia e conseguem ser felizes. O casamento é um tiro no escuro e as razões que nos levam a casar não se esgotam no tão desejado e famigerado amor. Casamo-nos por paixão, atracção fisica, busca de companhia, procura de estabilidade, protecção, por conveniência………O que não devemos fazer é enganarmo-nos e perdermos tempo a justificarmo-nos pelas razões que um dia nos levaram a decidir dar esse passo ou a terminá-lo. Somos seres livres e deviamos ter consciência disso.

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